Se o governo tem dificuldades para estruturar a sua base no Congresso Nacional, a oposição dá um empurrãozinho ladeira abaixo. “Basta deixar que eles mesmo (a base de Bolsonaro) se atrapalham sozinhos”, disse um líder da oposição, ao informativo Congresso em Foco

É o jogo de interesses e a oposição decidiu aproveitar as dificuldades do governo em articular sua base no Congresso para atrasar o quanto puder a tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) da reforma da Previdência na Câmara.

A primeira medida é não indicar os integrantes para as comissões, principalmente a de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante e o primeiro passo para PEC andar. Opositores garantem que nem precisam se esforçar para atrapalhar o curso da proposta.

“Claro que vamos tentar atrasar o máximo que pudermos, mas o governo está totalmente desarticulado. Sabe que não tem condição nenhuma de aprovar nada agora. Ou teria feito como já ocorreu em outras ocasiões. Instalaria a comissão [CCJ] e forçaria as indicações de quem ainda não fez”, comentam os oposicionistas.

O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, afirma que PT é o único partido que ainda não o procurou para fazer indicações. Mas, na verdade, outras legendas ainda não concretizaram as indicações, como o também oposicionista PCdoB.

“É uma espécie de operação casada. O PT não indica seus integrantes. O Rodrigo Maia finge que cobra o Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara, mas adia a instalação das comissões mesmo podendo fazer isso de ofício, de acordo com o regimento”, garante outro líder oposicionista da Casa.

O atraso também começa a preocupar agora pelo recesso carnavalesco. Na próxima semana, por exemplo, os “trabalhos legislativos” serão atrasados por conta da terça-feira gorda e a quarta-feira de cinzas. Ou seja: praticamente o Congresso para nestas duas semanas. O que dá tempo para o governo se articular nos bastidores. E precisa correr contra o tempo.