Texto da minha filha mais nova Darian Christiane Gomes

Eu tenho esse costume de olhar para o céu.

Não estou à procura de um deus, mas é que ver esse pedaço de mundo que ainda é tão desconhecido por nós, humanos, me traz um certo tipo de paz.

Eu sempre tive fascínio pelo espaço.

Ainda criança adorava ouvir falar da atmosfera e o que está além dela. Sempre quis conhecer mais sobre o planeta Terra, as estrelas, o Sistema Solar e a Via Láctea.

O desconhecido é tentador. Minha curiosidade é aguçada por ele e pensar na imensidão do universo sempre me lembra da minha pequenez.

Talvez isso tenha um tom amargo, mas pra mim funciona como um impulso. Isso me mostra o quanto eu ainda não sei, o quanto tenho pra aprender e evoluir, e é um combustível pra que eu busque cada vez mais conhecimento, pra que eu continue crescendo. Já tive vontade de ser astronauta, mas acho que toda criança pensa nisso um dia.

Às vezes, algumas lembranças da infância me vêm à mente. Hoje, por exemplo, eu me lembrei de quando a minha irmã, em um dia qualquer em casa, desenhou árvores.

Os desenhos eram simples, lápis preto e papel. Apenas linhas, nada de luz e sombra. Foram duas árvores, cada uma em seu respectivo pedaço de papel.

Uma era cheia de vida, com aquele ar de primavera, cheia de folhas, flores e frutos.

A outra era um tanto quanto vazia, uma árvore de inverno, com seus galhos a mostra. Descobri que o segundo tipo me desagradava. Eu sempre gostei mais de calor do que de frio, dias ensolarados sempre me pareceram muito mais bonitos do que dias nublados.

Hoje, o dia amanheceu cinzento e chuvoso, eu nunca gostei de dias assim. Eles me trazem um sentimento de melancolia ligado à ideia de luto e aqui sim eu sinto o amargor da minha mísera existência. A morte é de fato algo muito assombroso.

Talvez não pra quem morre, mas pra todos aqueles que ficam. O peito aperta, a saudade faz estremecer. O nunca mais é algo tão forte que nos faz ser abraçados pela tristeza.

Mas hoje, de uma maneira inédita, eu olhei para o céu e, apesar de sentir essa melancolia devastadora, eu enxerguei a beleza de um dia cinzento. E então eu entendi os ciclos da vida e da morte. Eu enxerguei que pra todo fim há um recomeço.

Que para cada anoitecer um novo dia há de raiar. E isso me trouxe paz. Quiçá um dia eu seja grande.