Opinião – 

Osni Gomes – 

Tenho feito alguns testes com os meus seguidores, sem que eles percebam. Estou tentando chegar ao verdadeiro perfil do meu público.

Na verdade não estou usando muito critério técnico, mas simulando diversas situações. Às vezes coloco uma piada, as vezes coloco uma informação bastante séria e outras vezes misturo as diferentes formas de comunicação.

Os resultados a que tenho chegado é de que as pessoas estão na rede social, não para se informar ou se divertir. O que elas gostam mesmo é de sacanear as pessoas ou “trollar”, como se diz na gíria da nova geração.

Basta eu colocar uma charge mais apimentada contra determinados conceitos que já vem uma saraivada de comentários desairosos ou contundentes. O exemplo melhor foi durante a campanha política. Cada vez que me referia a Bolsonaro – e este especialmente – vinha um festival de contestações e argumentos. Dos mais imbecis aos mais circunspectos.

E não tivemos muita diferença nestes dias em que as eleições já se encerraram. E não haveria, por assim dizer, maior empenho dos seguidores do candidato eleito.

Mas ao contrário do que imaginava, há uma grande parte dos “adoradores” do chamado “mito” que estão dispostos a pegar briga por qualquer coisinha que se diga do “coiso”. Criaram uma espécie de couraça intransponível nesta pessoa, que passou a ser, não uma esperança para a solução dos problemas nacionais, mas um “semideus” de vários seguidores.

E não há um público específico em termos de idade, cultura ou experiência. Não há diferença também de classe social. Mas dá para notar que existe uma grande tendência de veneração, especialmente nos quadros mais abastados e principalmente em quem tem alguma influência sobre determinada classe, como trabalhadores, por exemplo.

E isso não tem nada a ver com ideologia política, pois os manifestantes são unânimes em considerar que todas os seus algozes são petistas de carteirinha, vermelhos ou então comunistas (uma espécie de cume das ofensas). E não é preciso que o acusado tenha feito qualquer ação para justificar esse juízo de valor. Basta que não se coadune com as ideias do novo presidente e seus asseclas.

Virou uma verdadeira febre incurável. É mais ou menos como aquela velha campanha em favor da apresentadora de televisão dos tempos de sucesso global: “mexeu com a Xuxa, mexeu comigo”. E ai de quem tentar demovê-los de suas convicções. São logo contestados. E os contestadores apoiados por outro turbilhão de pensamentos doutrinados.

Em resumo: o público não busca informação, não busca entendimento. Quer mais é contestar, quer mais é ter razão. Quer, até o fim, se sentir superior e custe o que custar.

Não sei exatamente se esta doença tem cura. Pois já vi muito médico, muito farmacêutico, muitos outros doutores tomando do mesmo copo.

Afinal, é assim: Deus acima de tudo! Bolsonaro acima de todos!

Osni Gomes é jornalista e editor deste portal