Não esperem do vice-presidente, general Hamilton Mourão, uma postura mais discreta e comportada. Ele é general e como general não vai obedecer ordens do capitão Bolsonaro. Isso é uma questão de “status” militar e hierarquia de caserna. Ela se aplica lá dentro e também aqui fora. Ou vocês esperavam comportamentos diferentes? Pode ser até que Mourão já tenha dito que vai obedecer quietinho o que mandar o presidente. Mas na prática veremos que isso é quase impossível.

Tanto que as atuais pressões para que o vice-presidente, seja mais discreto e silencioso não tiveram qualquer efeito até aqui. A colunista Mônica Bérgamo, da Folha, expõe hoje que na próxima semana ele dará entrevista para Bloomberg, Wall Street Journal e RTP (Rádio e Televisão de Portugal).

Na semana seguinte, Mourão falará com a revista “The Economist” e com a agência de notícias Reuters. Na quinta passada foi entrevistado do jornal El País — em espanhol, língua que, como o inglês, fala com fluência.

Mourão tem atendido todos os veículos com gentileza. Ele inclusive mandou instalar uma sala para os repórteres que cobrem a vice-presidência, com ar-condicionado, café, água e tomadas para que recarreguem computadores e celulares.

E outra: ele é mais competente e mais preparado do que Bolsonaro. Todos que tem contato direto com ele afirmam isso. Assim, a postura é oposta à do entorno mais próximo de Jair Bolsonaro, que ataca quase diariamente a mídia crítica ao governo. Na quinta-feira, por exemplo, Carlos Bolsonaro, filho do presidente, disse que “grande parte da imprensa” mente, manipula e “cria discórdias que não existe (sic)”.

Ainda Mourão: na terça-feira, dia 5, o vice viaja a São Paulo. Ele vai visitar Bolsonaro no hospital.