Opinião – Osni Gomes – 

A decisão do juiz Sérgio Moro, de deixar o magistrado e aceitar o convite para ser um Superministro da República, passa por uma fase de aprovação, desaprovação, indiferença e uma euforia desmedida. Basta observar os lados do posicionamento.

O desempenho do titular da Lava Jato agrada muito o lado vencedor das eleições, que apoiou Jair Bolsonaro. Na contra-mão, estão os admiradores de Lula e parte da oposição que vê no juiz Moro um grande oportunista.

O candidato derrotado no primeiro turno Ciro Gomes, por exemplo, já fez uma espécie de desafio, em recente entrevista. Disse antes que Moro aceitasse o cargo no Governo Bolsonaro, que ele decidisse imediatamente, “ele é um político e deve aceitar imediatamente o convite”. E provocou: “vamos ver como ele se comporta sem o arbítrio do judiciário”.

Político nenhum de bom senso lança uma provável candidatura fora de tempo. Sabe-se perfeitamente que o desgaste é grande. E principalmente quando se almeja dele um desempenho irretorquível.

É indisfarçável que todos esperam de Moro o mesmo desempenho que ele teve ao depositar a sua caneta sobre os processos que foram atribuídos no Judiciário. Seu jeito impecável de decidir chega agora numa arena onde a discussão sobre seus atos é ampla. No Judiciário ele determinava e dificilmente tinha alguém para contestá-lo.

A partir do momento em que ele assume um cargo político, vai sentir de perto os apupos e bajulações da torcida. Vai precisar de muita humildade e firmeza em seus propósitos.

E o seu sucesso não será apenas individual. Pois difícil será sua ascensão se o governo Bolsonaro, como um todo, não alcançar os resultados esperados pela população. Ao se concretizar uma boa gestão, todos subirão no conceito popular e ele terá, se continuar na caminhada de aprovação popular, maior facilidade para almejar o primeiro posto da Nação.

Outro fator primordial será a posição do presidente Bolsonaro. Se este apresentar mesmo o projeto para acabar com a reeleição ou se não estiver disposto a concorrer a um segundo mandato até lá, se permanecer em vigor o atual sistema de reescolha.

Fato é que, neste momento, Moro tem prestígio suficiente e respeito de toda a população que o aplaude. Resta saber como será depois de quase quatro anos de crivo popular. Só o tempo nos dirá.

Osni Gomes é editor deste portal