Revelado o porquê de até agora não chegar no Congresso o projeto de lei que reforma a aposentadoria dos militares. Tudo está dependendo do aumento de salários para os militares das Forças Armadas.  Travou tudo e esta é condição, segundo os deputados, para que a reforma da Previdência comece a tramitar. Os militares querem o aumento como compensação pelas mudanças que o governo quer fazer no regime das Forças Armadas.

Entre as alterações, está o aumento do tempo de contribuição (de 30 anos para 35 anos) e da alíquota previdenciária (dos atuais 7,5% para 10,5%). Segundo as Forças Armadas, desde o governo Fernando Henrique Cardoso os salários dos militares vêm sendo achatados. Pelos cálculos, há uma diferença de 88% entre a inflação acumulada desde 1995 e os reajustes concedidos à categoria.

Reclamam também enorme defasagem em comparação às demais carreiras, entre 31% a 62%. Um militar de uma alta patente recebe salário similar ao inicial de uma carreira da elite do funcionalismo, como auditor da Receita Federal.

O ministro Paulo Guedes concorda que os vencimentos da caserna estão defasados, mas sua equipe e lideranças da Câmara contrapõem que o reajuste contaminaria a discussão da reforma geral da Previdência. O aumento salarial reforça a polêmica sobre as regras do regime de seguridade dos militares. O Ministério da Defesa entende que, se o aumento não for incluído agora, não será dado após aprovação da Reforma.

O governo deu prazo até 20 de março para o encaminhamento da proposta dos militares. Mas o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, afirma que o texto pode ser enviado antes.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, optou por segurar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) até que as mudanças nas regras dos militares chegue ao Congresso.