A primeira vez que cruzei com esta cabeça privilegiada de Manoel Carlos Karam foi durante uma confraternização entre jornalistas da Sucursal de Ponta Grossa e da matriz de O Estado do Paraná, lá em Ponta Grossa, no Costelão do Floriano Maichaki.
Presença de gente de primeira: Karan, Cláudio Della Benetta, Júlio Tarnoswski Jr, Ieda Matias, Fernando e Cristini Gerlach, Orlando Petchak e outros amigos daqui de Curitiba e de lá de PG. O sabor, uma costelada que o Floriano preparou com carinho, regado a mais original das cervejas, a Original de Ponta Grossa. De acompanhamento, Karam comandou o “Chacabum”, lembrando os The Beatles nos ensaios de Besame Mucho. Foi um dia inesquecível.
Depois convivemos anos através da profissão e trocamos muitas informações.
Sempre tive, como todos seus amigos, imagino, uma admiração ímpar pelas idéias arejadas e sempre muito modernas de Karam.
Seu jeito desprovido de tratar um texto era alucinante, anos a frente do jornalismo convencional. Suas crônicas, fantásticas.
E até hoje tenho saudades do seu tom satírico e bem humorado em tudo que fazia. Registro aqui uma de suas últimas crônicas, “chupada” lá do Blog do Zé Beto e que bem demonstra a intimidade desse gênio com o texto:

Um jogo infantil na idade adulta.
Eu era parceiro do amigo Clayton Taborda.
Foi no elevador do prédio dele.
Duas ou três pessoas ouviram uma história com tiroteio, 
marcas de balas nas paredes do corredor do quinto andar, 
cheiro forte de pólvora.
Uma história de polícia e bandido.
Se fosse a notícia no jornal, pingaria sangue da primeira página.
A nossa conversa era detalhada, dramática.
Impossível não ser ouvida pela platéia do elevador.
Mas certos detalhes eram surrupiados, criando curiosidade.
Vamos lá, sem modéstia, criando suspense.
Aproximava-se a hora do desenlace da história.
Porém, ai, porém.
O elevador parou. 
Nós saímos com a história em andamento.
A audiência no elevador ficou sem o final.
Talvez isto explique algumas das minhas crônicas.
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