O governo Bolsonaro já teve algumas baixas. Mas nenhuma delas foi importante no contexto político e econômico do governo. Agora surge a ameaça do superministro Paulo Guedes de abandonar o barco.

Guedes disse que pode deixar o cargo se o Congresso Nacional exagerar nas mudanças da reforma da Previdência. Tudo isso porque ele garantiu que uma economia de R$ 500 bilhões em 10 anos não é suficiente para permitir mudanças necessárias para a capitalização.

A ameaça foi na cerimônia de posse do novo presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, que assumiu o cargo no lugar de Ilan Goldfajn. Guedes falou mais tempo que os dois juntos.

Entre uma brincadeira e outra, o discurso serviu para agitar os economistas presentes.

Chegou a comparar a situação do Brasil a de um avião sem combustível no meio do oceano. “Enquanto a geração atual pula de paraquedas, os filhos e netos ficam na aeronave e vão para o “inferno”.

Aos parlamentares Guedes tem prognosticado: se não aprovar [a reforma], a derrota não será da equipe econômica, mas, sim, das futuras gerações.

“Vocês vão derrotar seus filhos e netos. A geração contemporânea tem essa responsabilidade. Estamos num sistema [previdenciário] de repartição que quebrou. Faliu. Antes da população envelhecer. Vocês querem trazer seus filhos para isso?”, afirmou.

Essa revelação nos leva a lembrar as declarações de Bolsonaro, quando ainda candidato, quando perguntado, na entrevista da Rede Globo, “e se Guedes deixar o governo”. Ele afirmou que não haveria divórcio, inclusive ironizou a situação do apresentador William Bonner, separado da também apresentadora Fátima Bernardes.