O Centro Cultural Euclides da Cunha (CCEC) foi a primeira biblioteca aberta ao público em Ponta Grossa, Paraná. Seus frequentadores eram, na maioria, estudantes do Colégio Regente Feijó, escola onde Faris Antonio Michaele lecionava. Diz-se que “Antes de Faris, a cidade era toda voltada para as atividades comerciais e industriais, (…). Sem biblioteca pública, sem memória, sem literatura… Os poetas, pouquíssimos, os escritores, os oradores agindo por conta própria, isolados, sem objetivos”.

Percebe-se que a vida do professor Faris Michaele, suas atividades diárias, suas preocupações eram direcionadas para o desenvolvimento de cultura para a cidade: “Depois do advento de Faris, quer por sua ação direta, ou simplesmente catalisadora, começou a época de fastígio cultural da cidade, seus anos de ouro”.

O acervo do CCEC é dividido em dois: a biblioteca de Faris, com 7.547 títulos de livros, e a biblioteca Centro Cultura Euclides da Cunha que possui por volta de 4.390 títulos. Esta última recebeu doações de seus membros, durante toda a sua existência, espalhados por várias cidades do Brasil, da América Latina e, claro, por aqueles de Ponta Grossa.

A biblioteca de Faris Michaele “é” composta de livros que ele mesmo adquiriu com etiquetas de sebos e livrarias, principalmente da região. A mais comum encontrada era a Livraria Montes, localizada em Ponta Grossa. Poderíamos dizer que o CCEC era um espaço para aqueles que tinham gosto pela leitura.

Segundo a descrição de Eno Theodoro Wanke, O Centro Cultural Euclides da Cunha foi não só “a meninas dos olhos” de Faris, mas especialmente a sua maneira de dar a Ponta Grossa a oportunidade de ser uma cidade civilizada, inserida no contexto mundial, conhecida por todos como um pólo irradiador de cultura.

Tive o prazer de conhecer e conviver alguns anos com o professor Faris, ainda quando eu trabalhava na sucursal de O Estado do Paraná, na Praça Barão de Garaúna, em Ponta Grossa. Seguidamente o professor Faris ia me levar seus escritos para publicar e passávamos horas conversando sobre seus intercâmbios latino-americanos. A época ele trabalhava seu último escrito, “Cepa Esquecida”, mostrando brasileiros ilustres de sangue indígena.

Faris continua sendo uma figura notável, para nunca mais esquecer!
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