Não dar importância ao principal, quer dizer, ao cultivo da inteligência e do caráter, e buscar somente o acessório, quer dizer, as riquezas, só podem dar lugar à perversão dos sentimentos do povo, o qual também valorizará unicamente as riquezas e se entregará sem freio ao roubo e ao saque.

Se o príncipe utiliza-se das rendas públicas para aumentar a sua renda pessoal, o povo imitará esse exemplo e dará vazão às suas mais perversas inclinações: se, pelo contrário, o príncipe utilizar as rendas públicas para o bem do povo, este se lhe mostrará submisso e se manterá em ordem.

Se um príncipe ou os magistrados promulgam leis ou decretos injustos, o povo não os cumprirá e se oporá a sua execução por meios violentos e igualmente injustos. Quem adquire riquezas por meio violentos e injustos do mesmo modo as perderá por meios violentos e injustos.

Só há um meio de aumentar as rendas públicas de um reino: que sejam muitos os que produzam e poucos os que gastam; que se trabalhe muito e que se gaste com moderação. Se todo o povo trabalhar assim, os rendimentos serão sempre suficientes.

Para o bom governo dos reinos é necessária a observância de nove regras universais:

O domínio e o aperfeiçoamento de si mesmo, o respeito aos sábios, o amor aos familiares, a consideração aos ministros por serem os principais funcionários do reino, a perfeita harmonia com todos os funcionários subalternos e com os magistrados, as cordiais relações com todos os súditos, a aceitação dos conselhos e orientações dos sábios e dos artistas de quem sempre se deve rodear-se o governante, a cortesia com os transeuntes e estrangeiros e o trato honroso e benigno com os vassalos.

O bom governo é acima de tudo uma força moral que constrange o potencial negativo e anti-social do delinquente, do malvado e do fraudador, cerceando-os, obrigando-os a seguirem as regras do bom convívio desejado pela coletividade.

Entende-se assim o dito de Confúcio de que “a virtude do príncipe é como o vento agindo sobre a erva da plebe. A erva sempre se curva quando o vento sopra sobre ela.”

Descrevendo a cronologia da sua marcha pessoal em direção á sabedoria, Confúcio disse:

“Aos 15 anos meu coração concentrou-se com rigor nos estudos, aos 30 anos pude manter-me em pé, aos 40 abandonaram-me as dúvidas, aos 50 anos conheci o Decreto dos Céus. Aos 60 anos, meus ouvidos abriram-se docemente para a Verdade, aos 70 anos pude seguir os desejos do meu coração sem transgredir nunca com a regra.

Aplicai o vosso coração ao Tao (a doutrina).

“Que maravilhoso seria aprender pela manhã o que é o Tao e morrer pela tarde.”