O corporativismo parlamentar e político tem o aval agora do Ministro da Justiça, o quase intocável juiz Sérgio Moro. No seu primeiro teste de enfrentamento do parlamento acabou cedendo.  Curvou-se diante da velha política e transformou o seu projeto anticrime em fatias que agradam principalmente a corrupção política.

Quando questionado a respeito disse que atendia a um grupo de parlamentares, aos quais não deu nome, e ao ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), que já fora previamente perdoado por ele, quando surgiram as primeiras suspeitas de envolvimento do atual ministro de Bolsonaro.

Moro retirou do pacote principal da Lei Anticrime a medida que criminaliza o caixa dois, que é não declaração à Justiça Eleitoral de dinheiro recebido para campanhas eleitorais. Na prática, é para facilitar a aprovação do projeto, pois quando se transforma o caixa dois em delito mais grave é quase inviável a aprovação exatamente nas casas onde se pratica tal expediente de forma deliberada e especialmente nas campanhas políticas.

O caixa dois empresarial também existe e justamente para atender as necessidades de apoio por debaixo dos panos para interesses escusos, como sempre trabalharam as grandes empreiteiras brasileiras, useiras e vezeiras do expediente na propina de políticos do Executivo e do Legislativo.

Isso faz recordar uma frase que ficou famosa na Assembleia Legislativa do Paraná há uma dezena de anos atrás: “Caixa 2! Quem não tem?”