O professor de Jornalismo em Brasília, Zanei Barcellos acaba de fazer um apanhado de posicionamentos do presidente Jair Bolsonaro, com promessas de campanha e ações efetivas sobre o Meio Ambiente. É uma coletânea rápida, mas que dá noção de como vai caminhar o tema dentro do espírito do novo governo, sem programas ideológicos, como sempre faz questão de frisar. Veja o que foi constatado:

MEMÓRIA RECENTE – O posicionamento do presidente Bolsonaro em relação ao meio ambiente sequer foi formalizado na campanha eleitoral. Numerei abaixo alguns dos seus pensamentos sobre a questão, retirados das declarações à imprensa do então candidato, das postagens dele nas redes sociais e das poucas peças da campanha eleitoral que tocaram no assunto. (A base é uma matéria da repórter Débora Brito, da Agência Brasil, publicada em 20 de outubro do ano passado.)

1) Juntar os ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura e extinguir órgãos de fiscalização ambiental;

2) Extinguir o Ministério do Meio Ambiente e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade;

3) Flexibilizar a legislação que regula a exploração econômica de áreas verdes preservadas, inclusive na Amazônia;

4) “O Brasil não suporta ter mais de 50% do território demarcado como terras indígenas, áreas de proteção ambiental, parques nacionais e essas reservas todas, atrapalha o desenvolvimento”, declarou;

5) “Não podemos continuar admitindo uma fiscalização xiita por parte do Instituto Chico Mendes e do Ibama, prejudicando quem quer produzir”;

6) Licenciamentos ambientais avaliados rapidamente, em prazo máximo de três meses;

7) “Nenhum centímetro de terra” para indígenas e quilombolas;

8) Retirar o Brasil do Acordo de Paris, que prevê metas de aos países para limitar o aumento da temperatura global abaixo de 2º ou 1,5 graus Celsius neste século.

Como se sabe, Bolsonaro já implantou algumas destas metas, porém outras não conseguiu. Não conseguiu extinguir o Ministério do Meio Ambiente, mas o enfraqueceu transferindo órgãos para outros ministérios, caso do Serviço Florestal Brasileiro que foi para a pasta da Agricultura, dominada pelo agronegócio. É como entregar o licenciamento das mineradoras à Vale e similares.

Sobre o Acordo de Paris, vociferou a saída do Brasil do pacto e cancelou nossa candidatura a sediar a Conferência do Clima (COP 25) neste ano, evento que nos manteria no protagonismo das discussões climáticas e ambientais planetárias, que vinha sendo consolidado desde a Conferência Rio 92.

A reação internacional foi imediata com ameaças de retaliações econômicas e o Brasil se manteve no Pacto de Paris. Um viva a Macron.

A segunda grande tragédia causada pela Vale deixa claro até aos eleitores de WhatsApp que os cuidados com o meio ambiente não são “coisa de comunista, de esquerdinha e de eco-chatos”.

Deixa bem claro que muito mais está em jogo, que meio ambiente é peça importantíssima nas relações políticas e comerciais internacionais.

Que sustentabilidade é desenvolver e preservar nosso País, nossa terra, nossa riqueza, nossa gente. É garantir nossa vida, nossa sobrevivência como povo e Nação.

O meio ambiente é o grande patrimônio que temos, o que nos diferencia no mundo, nosso legado à humanidade. Não é nada que atrapalhe o progresso; é, sim, ao contrário, o verdadeiro progresso, aquilo que realmente tem valor.