O que pode ser uma grave denúncia ou não passar de um blefe do jornal “Folha de S.Paulo” continua ganhando as manchetes de um dos principais jornais brasileiros e de sites de notícias. Ontem (20/10) circulou na Folha uma oferta de serviços de disparo de notícias, da empresa Croc Services. Ela mostra uma tabela de preços pelos serviços de difusão das mensagens pelo WhatsApp. Neste caso é referente a campanha de primeiro turno do candidato Geraldo Alckmin, já derrotado.
Trata-se de uma oferta com o valor estipulado de R$ 8,7 milhões.

A proposta contraria o que diz a lei eleitoral e a campanha de Alckmin não aderiu à proposta. Mas o sócio-diretor da Croc, Pedro Freitas, disse à Folha que desconhece que isso seja uma prática ilegal. Mas confirma que prestou serviços para a campanha de Romeu Zema (Novo), candidato ao governo de Minas Gerais e de Alckmin, usando só a base de usuários fornecidas pelos partidos.

Veja o que divulgou a Folha:

O caso WhatsApp

Na última quinta-feira (18), reportagem da Folha relatou que empresas compraram pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp e preparavam uma grande operação para a semana anterior ao segundo turno. De acordo com a reportagem, a prática é considerada ilegal, pois caracteriza doação de campanha por empresas, proibida pela legislação eleitoral, e não declarada.

No mesmo dia, o PT entrou com uma ação de investigação judicial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, por abuso de poder econômico e uso indevido de meios de comunicação digital. O partido pediu que o tribunal declare a inelegibilidade de Bolsonaro por oito anos.

Na esteira da ação apresentada pelo PT, o Psol protocolou no TSE uma representação para que a Justiça Eleitoral impeça que o WhatsApp dissemine notícias falsas durante o processo eleitoral.

Na sexta-feira (19), Bolsonaro divulgou uma entrevista em que nega envolvimento de sua campanha para contratação de serviços de disparos em massa no WhatsApp e afirmou que processará o seu adversário Fernando Haddad (PT) por tê-lo chamado de criminoso.

Ainda na sexta, o WhatsApp informou ter cancelado centenas de milhares de contas de usuários da plataforma que apresentavam comportamento anormal.

Outro partido que entrou com uma ação no TSE foi o PDT, pedindo a anulação das eleições presidenciais e a cassação da candidatura de Bolsonaro. A representação alega que o candidato do PSL foi beneficiário direto do esquema de uso ilegal do WhatsApp e pede uma nova rodada de votações sem Bolsonaro.

O ministro Jorge Mussi, do TSE, acatou apenas o pedido do PT e determinou abertura de ação para investigar o caso. Neste sábado (20), o presidente nacional do PSL, Gustavo Bebianno, disse que seu partido ingressará na segunda-feira (22) com uma ação na Procuradoria-Geral da República (PGR) para abertura de investigações sobre o suposto esquema de disseminação de notícias falsas contra o PT.

A pedido da PGR, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, determinou a abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) para apurar “sob a ótica criminal”, conforme ofício da PGR, se há um esquema de distribuição de notícias falsas por empresas e quem está envolvido.

Segundo informa a Folha, na noite de sexta-feira (19), Bolsonaro entrou no TSE com um pedido de direito de resposta e de exclusão da reportagem do jornal. Os advogados da campanha afirmam no pedido que o jornal fez acusações sem provas com o objetivo de beneficiar a candidatura de Haddad. O ministro Sérgio Banhos, relator do pedido, divulgou decisão na noite de sábado (20) em que nega a retirada imediata da reportagem do site da Folha, e determinou que o jornal apresente defesa.