As regras eleitorais são incontestáveis. Bolsonaro é de fato o presidente do Brasil. Mas os números absolutos da eleição mostram que o presidente eleito não tem apoio da maioria dos brasileiros.
Dos votos válidos depositados nas urnas, Bolsonaro obteve quase 58 milhões de adeptos, contra 47 milhões que votaram no seu adversário. Entretanto o número de votantes não habilitados que preferiram ficar à margem do processo, por votar em branco, nulo ou não comparecer nas secções eleitorais seria capaz de derrubar o preferido das urnas, com enorme facilidade. Foram 42 milhões de eleitores que disseram “#elesnão!” Foram 31 milhões de ausentes, quase 2,5 milhões de votos em branco e 8,6 milhões de votos nulos.
O processo eleitoral está em jogo no país, onde boa parte do eleitorado clama por voto não obrigatório. Isso pouparia um percentual gigantesco de pessoas que pagarão multa por não comparecer e outros tantos que se deslocaram até as secções eleitorais para ficar fora do processo, como uma forma de protesto pelo voto obrigatório e pela falta de uma opção que lhe fosse convincente. Os nomes de Haddad e Bolsonaro foram rejeitados por 42 milhões de votantes ou ausentes.
A tão sonhada reforma política sempre ventilada, mas jamais executada, serviu apenas para regulamentar o uso do dinheiro público nas campanhas. A validade do voto e a obrigatoriedade do eleitor jamais foram colocadas em discussão, num corporativismo sempre irresponsável de quem está no poder.